Noroeste, a cronologia de erros, inexperiência, insensatez

05/04/2014Noroeste

União permite ao Noroeste não fechar as portas. Da esquerda para à direita: o vice-presidente Rafael Magalhães Padilha; o secretário de Esportes, Roger Barude Camargo; o vereador Roberval Sakai (PP);

Aclamado em outubro passado pelo CD - Conselho Deliberativo, Emílio Brumati, 32 anos, assume a presidência do Noroeste.

Luciano Sato (22/10/2013-16/02/2014): 4 jogos, zero vitória, 16,6% aproveitamento. (Futebol Bauru)

Ney Silva (17/02/2014-24/02/2014): 2 jogos, zero vitória, 00,0% aproveitamento. (Futebol Bauru)

Jorge Saran (24/02/2014-08/03/2014): 4 jogos, zero vitória, 8,33% aproveitamento. (Futebol Bauru)

Vitor Hugo Siqueira (09/03/2014): 8 jogos, 3 vitórias, 41,6% aproveitamento. (Futebol Bauru)

União permite ao Noroeste não fechar as portas. Da esquerda para à direita: o vice-pesidente Rafael Magalhães Padilha; o secretário de Esportes, Roger Barude Camargo; o vereador Roberval Sakai (PP); o gestor Toninho Gimenez e o presidente Emílio Brumati. (Futebol Bauru)

Exatos 12 meses e cinco dias, o Noroeste, Centenário, fundado em 1/9/1910, amarga o segundo rebaixamento. Agora o inédito, da Série A3 para a 2ª Divisão, que equivale a 4ª Divisão, a última do futebol profissional Paulista, abaixo apenas o Futebol Amador.

 

Em 31 de março de 2013, sob a nefasta administração Anis Buzalaf Júnior, o Noroeste perdeu em Bauru, 2 a 0, do Capivariano, e estava rebaixado da Série A2 para à A3.

 

O maior mérito da tual Diretoria, presidida pelo empresário Emílio Brumati, 32 anos, justiça se faça, foi a de manter o clube em atividade, graças ao aporte financeiro que conseguiu o também empresário Toninho Gimenez e o vice Rafael Magalhães Padilha, entre outros.

 

Erros de execução

O planejamento foi bem traçado, errado foi a sua execução, com sucessivos equívocos que foram se acumulando como bola de neve.

 

Primeiro equívoco da Diretoria, sob a presidência do jovem empresário, profissional em shows, mas a desejar quando demonstrou, e não por uma vez, despreparo emocional.

 

O atual gerente Luciano Sato, com perfil para comandar categorias de base e depto administrativo, não poderia ter assumido o time principal, ainda mais sem reforços qualificados.

 

Sato necessita de maior experiência como técnico de time profissional, o que lhe sobra nas categorias de base. Mas também se faça justiça, não lhe deram os reforços que pediu: um zagueiro, um ala-esquerda e um atacante experientes.

 

Foi ilusão acreditar que com a base de garotos, o Noroeste pudesse disputar (e não participar) do Campeonato Paulista Série A3.

 

Sem avisar

Quando se “descobriu” o equivoco, óbvio, ululante, o presidente em ato infeliz não consultou seus companheiros.

 

A bel-prazer, sem avisar, contratou o desconhecido Ney Silva, com Luciano Sato, sem saber, comandando, pela última vez, o time na derrota, em Bauru, para a Francana, por 2 a 1, em 15 de fevereiro.

 

O preferido, inclusive, com indicação de setores da Imprensa, era o experiente João Martins. Para contrariar, Brumati, sem ninguém saber, acertou com Ney Silva.

 

Briga no vestiário

Autoritário, desrespeitou e destratou atletas em sua estreia, em São José do Rio Preto, quando em 20 de fevereiro, o Noroeste perdeu por 1 a 0, do América.

 

O meia Davi foi contido por companheiros para não sair no braço com o treinador Ney Silva.

 

Sem ambiente, Ney Silva, o técnico do presidente, foi demitido dia 24 de fevereiro, um dia após o Noroeste tomar 3 a 0 do Juventus, em Bauru. O agir com a cabeça quente levou o Noroeste a perder seis pontos em uma semana.

 

Declaração infeliz

Jorge Saran, este sim que deveria ser contratado em novembro passado para fazer a pré-temporada e por conhecer a base do Noroeste, haja vista que já tinha trabalhado com vários atletas, só chegou em 24 de fevereiro.

 

Saran, em declaração infeliz, após a derrota de 2 a 0 para o Independente, em Limeira, em 7 de março, disse aos repórteres Jota Augusto, da Rádio Auri Verde e a Jota Martins, da Rádio 87 FM “que estava difícil a reação, devido ao grupo limitado. Precisamos de pelo menos quatro contratações”.

 

Volta Vitor, conhecido

Vitor Hugo Siqueira, 50 anos, ex-zagueiro do time, ex-técnico, que subiu o time da Série A3 para a A2 em 2004, e ex-gerente de futebol, retornou a pedido de parte, minoria da imprensa, ao gestor Toninho Gimenez.

 

Na reestreia de Vitor Hugo, em Bauru, vitória sobre o então vice-líder Grêmio Novorizontino, por 1 a 0, em 12 de março.

 

Registra-se que o Novorizontino se reforçou com os ex-Noroeste, o goleiro Yuri, o zagueiro Magrão, os volantes Deda e Pedro e os atacantes Diogo e Anderson Cavalo.

 

Agressão do presidente

Quando se imaginou que o Noroeste, encontraria, enfim, o caminho para a reabilitação e consequente a saída da zona de rebaixamento, eis que em ato impensado, de desequilíbrio emocional, volta à cena o presidente Emílio Brumati.

 

Em 19 de março, em Bauru, após o Noroeste marcar 3 a 1 sobre Cotia, com três gols do atacante Lauro César, Brumati agrediu Leandro Ávila Rodrigues, o Foguinho, que vai comandar o time Sub-15 do Noroeste no Campeonato Paulista, a partir de 19 de abril.

 

Relacionamento estremecido

Foguinho recebeu seis pontos na cabeça. O relacionamento do gestor Toninho Gimenez, dito por ele ao www.futebolbauru.com.br com Brumati, “ficou estremecido”.

 

Também não se pode passar em branco a idéia anacrônica do presidente Brumati em por fim às categorias de base do clube. Felizmente, e em gesto de grandeza e elogio, voltou atrás na decisão.

 

Gritos de intimidação

Em alguns jogos, o próprio presidente Brumati, com amigos, gritava palavrões impublicáveis diante de senhoras e crianças, na ex-Tribuna de Honra. Fazendo do local espaço varzeano, pior que baile de forró.

 

Time tem de ganhar no campo, jogando bola e não com diretores intimidando, à época antiga.

 

Não fala, não joga

Antes de empatar, em dois gols, quarta-feira passada, em Bauru, contra o Matonense, atletas (até porque jogador de futebol hoje no Brasil se conta nos dedos), “para minha surpresa” dizia Vitor Hugo Siqueira, se recusaram a conceder entrevistas.

 

Não fossem tantos os equívocos, o noviciado, e a história poderia ter sido outra, talvez se Vitor Hugo Siqueira tivesse sido contratado antes.

 

Mas como dizia o falecido Fiori Gigliotti, um dos maiores narradores esportivos em todos os tempos, “Agora não adianta chorar”.

 

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(*) Erlinton Goulart, Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

05/04/2014

 

* - Erlinton Goulart é Jornalista Profissional (MTb: 17.963) e acompanha o dia-a-dia do Noroeste, "in loco", desde 1969.

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