Goleiro agora tenta se matar, diz comparsa
Ainda se recusando a falar, em juízo, sobre o crime a que responde pelo sequestro de Eliza Samudio, Macarrão, o amigo do ex-goleiro Bruno, do Flamengo, pediu a palavra na audiência nesta sexta-feira e disse não estar mais aguentando a situação.
“Estamos presos há 70 dias e Bruno já tentou se matar várias vezes. É só isso o que tenho pra dizer. O que tinha pra falar, eu já disse na delegacia”, resumiu o amigo do goleiro, após a saída do atleta da sala, que também se recusou a falar sobre a acusação em juízo.
As informações foram passadas pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio. A audiência aconteceu no Fórum de Jacarepaguá, na Zona Oeste. Em seguida Bruno e Macarrão voltaram para o presídio de Bangu 2, onde estão presos.
Ambos respondem por sequestro e lesão corporal, que teria acontecido em 2009. Na época, Eliza estava grávida e registrou queixa na delegacia acusando os dois de a terem levado para um apartamento do jogador e a obrigado a ingerir remédios abortivos.
Bruno e Macarrão estão presos desde julho por outro crime. Eles também são réus no processo que investiga a morte de Eliza Samudio, na Justiça de Minas Gerais e irão responder na Justiça por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e corrupção de menor. Eles negam o crime. As penas podem ultrapassar 30 anos.
Queria se matar
Macarrão impediu o goleiro de cometer suicídio, diz o advogado
dos dois, Ércio Quaresma, que afirmou que só soube das tentativas de suicídio de Bruno horas antes da audiência, por Macarrão. Segundo o advogado, o goleiro e o amigo estão presos na mesma cela e Macarrão foi quem impediu Bruno de se matar.
“Se ele tinha aparência de tranquilidade de antes das acusações, essa tranquilidade não existe mais. Este é o nono desmaio que ele sofre desde que foi preso. Macarrão o pegou fazendo uma Teresa, espécie de corda com tecidos ou roupas amarrados, para se enforcar”, contou Quaresma, que afirmou que vai pedir a assistência de um psiquiatra para o atleta na prisão.
Antes de Bruno e Macarrão se negarem a falar em juízo, os depoimentos das testemunhas de defesa duraram 1h40. Entre os depoimentos mais curtos está o de Zico, que falou por apenas 10 minutos e contou que teve contato com Bruno por apenas 10 dias e que ele apresentava uma conduta normal.
O ex-jogador e agora diretor do Flamengo, disse ainda que só ficou sabendo do envolvimento do jogador com Eliza e da declarações ofensiva às mulheres pela imprensa.
Mesmo se absolvido, Bruno não jogará mais pelo Flamengo garante a presidente Patrícia Amorim falou por 17 minutos. Afirmou que Bruno está com o contrato suspenso aguardando o final dos processos a que ele responde na Justiça.
Festas com pessoas nuas
O goleiro do Flamengo Paulo Victor também prestou depoimento e afirmou que conheceu Eliza em uma festa em que ela estava acompanhada de Bruno e admitiu que, no evento, havia pessoas nuas pela casa.
Paulo Victor, no entanto, negou que tenha emprestado seu carro para que o amigo a levasse para Belo Horizonte (MG). O atleta confirmou ainda que Bruno e Elisa namoravam, mas que não costumavam sair juntos com muita frequência.
O lateral Léo Moura falou ao juiz por 12 minutos. Ele afirmou que só podia falar do ex-colega de time sob o aspecto profissional e que sabia apenas que Bruno, Adriano e Wagner Love eram amigos dentro de campo. Segundo o jogador, ele conheceu Macarrão apenas quando ele esteve no clube acompanhando os treinos.
O goleiro Bruno passou mal no início da audiência no fórum. Uma ambulância chegou ao local para atendê-lo. Segundo o Tribunal de Justiça, Bruno sofreu uma queda de pressão e chegou a desmaiar na cela, antes de entrar na sala de audiência.
A mãe de Eliza Samudio não conseguiu assistir à audiência. Sônia Samudio teve uma crise nervosa ao ficar cara a cara com o goleiro na sala de audiência e saiu chorando.
Redação Futebol Bauru
17/09/2010.
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