Fifa quer seus parceiros nas cidades-sedes
A Fifa pressiona as 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 a “cooperar” nas licitações dos estádios e a contratar empresas patrocinadoras da entidade.
A Folha ouviu reclamações dos representantes dos governos estaduais, sob condição de anonimato, e conseguiu cópia de documentos que confirmam o lobby.
Os papéis mostram que o departamento de marketing da Fifa e o Comitê Organizador Local, representante da entidade no país-sede do Mundial, atuaram em favor de uma fabricante de brindes, uma empresa de energia solar e uma seguradora.
As três empresas são apresentadas como líderes de mercado e parceiras oficiais da Fifa, cujos dirigentes foram recentemente alvo de denúncias de corrupção, entre elas o pagamento de propina na eleição das sedes das Copas de 2018, na Rússia e 2022, no Catar.
Entre os documentos obtidos, estão um e-mail e uma apresentação de PowerPoint em que a Fifa manifesta interesse na contratação da parceira ADM para a confecção de brindes, como bonés e chaveiros.
Os documentos são assinados pelo diretor de marketing da Fifa no Brasil, Jay Neuhaus. O recado: ou a sede contrata a ADM ou paga 17% de taxa de licenciamento caso opte por outra fabricante.
As sugestões de contratação colocam as cidades-sedes diante de um impasse.
Agradar à entidade, pedindo a consórcios e empreiteiras responsáveis pelas obras que contratem as empresas ligadas à Fifa, ou, no caso de contratos pagos apenas com dinheiro público, seguir a Lei de Licitações, arcando, assim, com custos extras para atender ao padrão Fifa.
Redação Futebol Bauru
13/06/2011.
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