Copa: Fifa e CBF terão lucros astronômicos

30/05/2011Mais Esportes

A Copa do Mundo de 2014 ameaça deixar um outro legado ao Brasil: dívidas. Pessoas familiarizadas com a dimensão financeira do Mundial admitiram ao Estado que estão surpresas com a explosão nos custos de obras para estádios e outros itens da preparação e alertam que algumas arenas levarão até 2030 para quitar suas dívidas.

 

Fontes em Zurique, na Suíça, calculam que sediar a Copa custaria ao País mais de R$ 23 bilhões de reais, incluindo obras nos aeroportos e de mobilidade urbana. “As contas não fecham”, alerta um dirigente esportivo envolvido na parte financeira da preparação para o evento.

 

O iminente prejuízo do Mundial é uma conta que as esferas de governo: Federal, Estadual e Municipal irão bancar sozinhas: nem Fifa nem CBF terão os lucros ameaçados no torneio.

 

Mais de 6 bilhões de reais

Neste momento, a Fifa está preocupada com os gastos dos estádios e os custos de operação total. A última estimativa feita na Suíça é de que o Brasil gastará pelo menos R$ 6 bilhões e 300 milhões de reais para erguer os palcos do evento.

 

Em 2007, quando da escolha do Brasil para organizar o Mundial, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garantiu que não haveria aporte de recursos públicos para a realização do evento.

 

Três anos depois, o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Social criou uma linha de crédito, inédita na instituição, para financiar a construção de arenas.

 

A taxa de ocupação dos estádios e o tamanho dos acordos de empréstimos com o BNDES, porém, exigirão anos para que o dinheiro investido pelo governo brasileiro seja recuperado e, ainda assim, não haverá garantias de que isso ocorrerá.

 

Para estádios calculados em R$ 500 milhões de reais, a estimativa é de que poderão recuperar pouco mais da metade do dinheiro durante a Copa. Mas, nos anos seguintes, sofreriam para quitar o restante da dívida.

 

Ganhos incertos

A entrada de turistas, a exposição do Brasil no mundo e investimentos poderiam compensar. Mas as contas da África do Sul são usadas como alerta que prever esses ganhos é tão incerto quando o vencedor do Mundial.

 

A Copa de 2010 gerou renda para a economia sul-africana de US$ 4,9 bilhões de dólares ou R$ 7 bilhões e 900 milhões de reais, praticamente o mesmo valor que foi gasto na construção de estádios e infraestrutura pelo governo sul-africano.

 

O problema é que essa conta de gastos não inclui o que províncias e cidades tiveram de injetar para ganhar o direito de ser sede. No final das contas, o buraco chegou a quase US$ 1 bilhão de dólares ou R$ 1 bilhão e 590 milhões de reais.

 

Duas vezes mais

No caso do Brasil, os gastos com a Copa do Mundo seriam já duas vezes superiores ao que o país africano colocou para o evento de 2010.

 

Apesar da constatação do prejuízo, a Fifa já tem sua arrecadação garantida. A venda de direitos de TV, publicidade e produtos comerciais renderá ao órgão um total de US$ 3,8 bilhões de dólares ou R$ 6 bilhões de reais.

 

Lucro fantástico

Depois de usar o dinheiro para diversas competições e pagar US$ 1,3 bilhão de dólares ou R$ 2 bilhões de reais, em custos do Mundial, a Fifa sairá do Brasil com US$ 200 milhões de dólares ou R$ 318 milhões de reais, isentos de impostos. Nenhum custo com infraestrutura ou estádios cairia nas mãos da organização, muito menos dívidas.

 

No que se refere aos lucros, a Fifa já esfrega as mãos. A renda obtida será quase 100% superior ao que a Copa da Alemanha movimentou em 2006 e três vezes maior que na França em 1998.

 

As contas da CBF também não preveem perdas, já que a entidade não colocará um centavo sequer em estádios e nem em infraestrutura.

 

Pessoas envolvidas com as contas do evento usam dados do TCU - Tribunal de Contas da União para mostrar como ainda haveria o peso “desproporcional” colocado sobre o governo.

 

Segundo levantamento do TCU do final de 2010, 98,5% dos R$ 23 bilhões de reais previstos para serem gastos nas obras da Copa de 2014 sairão dos cofres públicos.

 

O acordo entre o Brasil e a Fifa sobre a isenção de impostos ainda evitará que R$ 500 milhões de reais sejam coletados pelo Tesouro. A isenção vai além da Copa e também valeria para 2015.

 

Redação Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

30/05/2011.

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