Senador quer investigação contra nova denúncia
O ex-presidente da CPI do Futebol, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), afirma que a denúncia de que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teria recebido US$ 9,5 milhões de dólares, cerca de R$ 16 milhões de reais de uma empresa de marketing esportivo deve ser investigada por autoridades brasileiras.
“Tem de haver uma movimentação por aqui. Essas denúncias são novas, precisamos analisá-las”, disse Dias. Para o senador, a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil torna a apuração ainda mais necessária e urgente.
Segunda-feira passada, o programa Panorama, da rede britânica de TV BBC, revelou que Teixeira, bem como o paraguaio Nicolas Leoz, presidente da Conmebol e o camaronês Issa Hayatou, teriam recebido na década de 90 pagamentos da empresa ISL, que havia ganhado os direitos de comercialização da Copa do Mundo.
As supostas propinas estão incluídas e documento confidencial que lista 175 transferências de dinheiro, totalizando US$ 100 milhões de dólares, ou R$ 172 milhões de reais. Os dirigentes e a Fifa não se manifestaram sobre a reportagem.
Segundo o programa da BBC, o presidente da CBF, também responsável pela organização da Copa do Mundo de 2014, recebeu a propina por intermédio de uma empresa de fachada chamada Sanud, sediada no principado de Liechtenstein, no centro da Europa.
Empréstimo de milhões
Em 2001, a CPI do Futebol divulgou que Teixeira tinha uma relação muito próxima com a empresa. De acordo com as investigações conduzidas à época, até julho de 2000, a Sanud transferira a título de empréstimos R$ 2 milhões e 900 mil reais à empresa R.L.J Participações, que tinha como acionistas Teixeira, sua ex-mulher, Lúcia Havelange Teixeira, além da própria Sanud.
A comissão afirmou que a movimentação visava unicamente transferir recursos da Sanud para o Brasil, já que o Banco Central jamais teria registrado a devolução de qualquer parte do empréstimo pela R.L.J.
A operação, assim como dezenas de outras, embasou as denúncias da comissão contra Teixeira. Os senadores o acusaram de apropriação indébita de recursos da CBF, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas e desvio de recursos.
Na ocasião, Teixeira negou que tivesse transferido recursos da CBF para suas contas pessoais e afirmou que todas as operações apontadas como irregulares pela comissão haviam sido analisadas pela Receita ou pelo Banco Central.
Lentamente na Justiça
O relatório da CPI, que contou com 13 senadores e durou 14 meses, foi aprovado por unanimidade e também acusou de irregularidades outros dirigentes, como o ex-presidente do Vasco da Gama (RJ), Eurico Miranda e o ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah.
Com o fim da comissão, Teixeira foi indiciado pelo Ministério Público, mas os processos tramitam lentamente na Justiça. Para Álvaro Dias, a candidatura do Brasil à Copa de 2014 ajudou a travá-los, já que se acreditava que eventuais condenações a Teixeira poderiam prejudicar as aspirações do país a sediar o evento.
Redação Futebol Bauru
30/11/2010.
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