"Não se deve fazer projeto no futebol", diz Dorival
O técnico Dorival Júnior negou ter recebido convite do São Paulo para ser o sucessor de Ricardo Gomes e do interino Sérgio Baresi. O treinador disse que no episódio que culminou com sua demissão do Santos, terça-feira à noite, todos erraram e culpou as interpretações distintas entre ele e o presidente Luís Álvaro, na reunião de segunda-feira, como o principal motivo para o desfecho da crise com o atacante Neymar.
Bem humorado e diferente do Dorival Júnior tenso que, na terça à tarde, anunciou o afastamento do atacante Neymar, do clássico contra o Corinthians, vencido por este, de virada, 3 a 2, sobre o Santos, na Vila Belmiro, Dorival recebeu a imprensa para dar sua versão do caso.
“Eu seria um grande cachorro se aceitasse discutir convite de um clube tendo contrato de dois anos com o Santos. Além disso, o São Paulo não ia agir dessa forma, convidar treinador que esteja trabalhando, e o Baresi é um baita amigo meu. Trabalhamos juntos no Santo André no fim dos anos 90 e converso por telefone com ele pelo menos uma vez por semana”, explicou Dorival.
Sobre a demissão e as críticas que sofreu por parte do diretor de futebol do Santos, Pedro Nunes Conceição, Dorival reagiu com altivez.
“Todos nós erramos e eu assumo a minha parcela de culpa. Houve erro de comunicação no encontro que tive com o presidente antes do treino da segunda-feira. Conversamos sobre vários aspectos e no fim ele saiu achando que estava tudo superado e eu acreditava que tinha respaldo para punir Neymar tecnicamente”, comentou Dorival, derrubado a versão da diretoria. “Só depois decidi pelo afastamento dele no clássico. A diretoria entendeu que antes da punição eu deveria fazer um comunicado”, afirmou.
Dorival não se arrepende de ter punido Neymar. “Multa é punição fictícia e o que conta é punição de campo. Neymar já era reincidente. E eu não abro mão do respeito à disciplina. Mas não acredito que tenha havido excesso de proteção a ele”, acredita.
Ao fazer o balanço de sua passagem pelo Santos, Dorival admitiu que não acreditava no sucesso imediato como aconteceu no primeiro semestre. Disse que jamais cobraria a multa do clube por achar que também errou ao não comunicar antes o presidente sobre o afastamento.
A decepção de Dorival Júnior foi o fim prematuro de um processo que tinha tudo para dar certo. “Imaginava ficar muito tempo aqui e tinha um projeto de integração entre o profissional e a base. Isso prova que não se deve fazer projetos no futebol brasileiro”, avalia.
Redação Futebol Bauru
23/09/2010.
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