Justiça condena envolvidos na "Máfia do Apito"

01/03/2011Mais Esportes

Envolvidos no esquema da “Máfia do Apito” são condenados a pagar multa de R$ 160 milhões de reais e a CBF vai ter de dividir o prejuízo.

 

O ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho recebeu propina para manipular resultados do Brasileirão em 2005. A 7ª Vara Cível da Justiça de São Paulo condenou os réus envolvidos no
esquema de manipulação de resultados de futebol brasileiro, que ficou conhecido em 2005 como "Máfia do Apito", a uma multa de R$ 160 milhões.

 

O ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho e o empresário Nagib Fayad terão de arcar com a quantia. A sentença judicial considerou que a “escalação de árbitros parciais” fez com que a CBF não cumprisse o dever de garantir o andamento normal do Brasileirão.

 

Recebeu propina. Jogos anulados

Na ocasião, o ex-árbitro confessou ter recebido propina de empresários paulistas para fraudar resultados nas partidas que apitava para favorecer apostas nos sites de loteria esportiva na internet.

 

Com o fato revelado, a CBF acabou anulando 11 partidas do Brasileirão de 2005, que teve o Corinthians como campeão. A multa de R$ 160 milhões dos réus terá de ser depositada no Fundo Especial de Despesa de Reparação de Interesses Difusos Lesados do Estado de São Paulo. Caso algum deles não tenha condições de pagar, o outro deverá arcar com a quantia.

 

Do gramado para o bar

O ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho trabalha atualmente
em um bar de um clube em Jacareí, no interior de São Paulo. Após cinco anos de impunidade, os envolvidos no escândalo da “Máfia do Apito” foram sentenciados pela primeira vez.

 

Ao lado de empresários paulistas, Edilson teria fraudado resultados das partidas que apitava. A história, resultou na anulação de onze partidas do torneio. A sentença foi proferida pelo juiz da 17º Vara Cível, José Paulo Camargo Magano.

 

Também foram considerados culpados o empresário Nagib Fayad, responsável pela ponte entre apostadores e os árbitros corruptos, e a CBF por “não cumprir o dever e garantir a observância de regras que garantissem o regular andamento dos campeonatos”.

 

Começou na Argentina

Ex-árbitro Fifa, Edilson, fazendo-se de arrependido  disse que “Caí em tentação. Começou com um jogo na Argentina, pela Libertadores de 2005. Era para ajudar o time da casa, o Banfield, a ganhar do Alianza Lima, do Peru. O rapaz me pagou antes e eu pensei: Se der errado, já está pago”, confidenciou. O Banfield ganhou por 3 a 2.

 

Em sua narrativa Edilson Pereira de Carvalho cita: “Depois veio um jogo do Campeonato Paulista. Palmeiras e América. Era para ajudar o América a ganhar. A tentação vai crescendo e fica difícil parar. Eu não tinha dívida, mas dinheiro chama dinheiro. Se você tem um carro,quer um maior.Depois, quer ter dois carros. A gente não pensa em nada quando vê o dinheiro na frente”.

 

O ex-árbitro banido do futebol diz que em 2008 tentou montar um bar em Jacareí. “Mas não deu certo. Depois, trabalhei num bar de uma amiga. Para aumentar a renda, também entregava marmitas com a minha moto. Há cinco meses, consegui emprego aqui no clube. Comecei no bar da sauna, fiz um bom trabalho e fui promovido”,narra constrangido.

 

José Pinheiro, especial para o Futebol Bauru

www.futebolbauru.com.br

01/03/2011.

 

José Pinheiro é advogado tributarista com pós-graduação em Direito Desportivo. Presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB/São Paulo.

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