Hino do Grêmio vira terapia contra doença rara
“O certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver”, diz trecho do hino do clube gaúcho. No entanto, especialmente para um garoto gremista, foi o clube que esteve à seu lado há alguns meses, quando esteve hospitalizado com risco de morte. E a ajuda veio em forma de hino.
João Victor Goelzer Medeiros vai entrar em campo só no último jogo do Grêmio no Brasileiro, dia 5 de dezembro contra o Botafogo. Mas, ao completar seis anos, na última quarta-feira, já contou sua história ao elenco e ao técnico Renato Gaúcho, em um treino no Olímpico.
O garoto se recuperou da doença de Still, uma artrite reumatoide juvenil, que o deixou 21 dias no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, sendo 15 no CTI - Centro de Tratamento Intensivo e cinco em coma induzido, sedado, com respirador artificial. Com risco de morte.
João Victor, segundo os pais e o médico, recuperou-se da doença rara na intensidade que o acometeu graças ao tratamento com antibióticos e corticoides, mas, também, ao estímulo do clube que a família torce.
Audição
O garoto, nos dias de CTI, teve o quarto decorado com fotos, bandeiras e ouvia constantemente músicas conhecidas, entre elas várias versões do hino do Grêmio.
“Os médicos nos contaram que o último sentido que a pessoa perde é a audição. Por isso, o estimulávamos assim”, lembra a mãe, Adriana Goelzer. “De repente, desacordado, entubado, tocou o hino do Grêmio. Ele mexeu a mão, um pouco a cabeça, e os batimentos cardíacos aumentaram”, contou a mãe.
O pediatra intensivista João Mafalda Krauzer, que acompanha a recuperação de João Victor, confirma o efeito positivo que os estímulos têm no tratamento.
“Notamos na prática que isso libera hormônios, e eles ajudam na recuperação. Para trazer a criança de volta, ela precisa de algo familiar”, declarou Krauzer. “No caso do João, ele é extremamente ligado ao futebol, é a paixão dele. Se fosse uma menina, podia ser a Barbie. O importante é essa colaboração”, conclui o médico.
Redação Futebol Bauru
20/11/2010.
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